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Sol Motors: Empresa reinventa o modelo de produção de motos no Brasil
Fonte: Revista Negócios [+]
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Após pesquisa em fabricantes chineses, empreendedores de Uberlândia definem pela importação de peças e componentes e passam a montar, no Brasil, diversos modelos de motos utilitárias e esportivas. No mix, está a proposta da moto elétrica, que atende tendência mundial de preservação do meio ambiente


Por Matheus Moura e Claiton M. Ramos 


Uma oportunidade de negócio encontrada do outro lado do mundo, mais precisamente, na China. Foi o que os empresários Flávio Rodrigues e Cristiane Rodrigues descobriram após quatro anos de pesquisa de mercado, cuja proposta era desenvolver um produto que  atendesse a demanda brasileira por motos de qualidade a preços competitivos nas classes C, D e E. Um importante passo antes de definir o negócio foi voar até a China para conhecer mais sobre montadoras de motos e fabricantes de componentes e peças.

 

Flávio, que sempre atuou no ramo de autopeças e motopeças, encontrou, na China, a oportunidade de negócio que procurava. Com visão apurada para as oportunidades, principalmente quando o assunto é moto, se impressionou com a quantidade de motos que rodam nas ruas e avenidas de cidades chinesas. Segundo ele, um dos pontos que mais despertaram a atenção foi a diversidade de marcas e montadoras. Acostumado com as tradicionais montadoras japonesas que operam por aqui, logo teve a percepção de que ali estava uma excelente oportunidade de negócio para iniciar no Brasil.

 

“A China possui uma variedade de modelos e marcas, algo que ainda não temos por aqui, principalmente produtos de boa qualidade e preços acessíveis”, reforça Flávio. Foi então que o empreendedor pesquisou, identificou fabricantes de peças e componentes chineses e optou por importar esses itens e montar motos exclusivas aqui no Brasil.

Utilitárias e esportivas, as motos são uma atração à parte, pois somam design, qualidade, diversidade e preço. Estes são, na avaliação do empresário, os principais fatores de sucesso do novo negócio. Importar as peças e outros componentes e montar a moto no Brasil resultou em um produto final extremamente competitivo com preços praticados pela concorrência nacional neste segmento de motocicletas.

 

Nascia então a Sol Motors, uma importadora, montadora e revendedora de motos chinesas aqui no Brasil. “Atualmente compro de oito fornecedores chineses, e, destes, seis estão entre os 10 maiores fabricantes do planeta”, ressalta o empresário.


Flávio Rodrigues e Cristiane Rodrigues são empreendedores da Sol Motors,
em Uberlândia: proposta é atender mercado nacional

 

Uma marca própria

 

A opção por criar uma marca própria, em vez de importar uma moto já montada da China, segundo Flávio, se justifica pela qualidade final do produto. “Na China, você encontra motos de diversos modelos, de baixa e alta qualidade. Definimos por importar as melhores peças e montar, no Brasil, uma moto resistente, moderna, de qualidade e que tivesse preço competitivo, significativamente menor que os praticados pela concorrência”, diz o empresário.

 

A China, considerada berço da produção industrial mundial, sedia fabricantes de diversas categorias, das conhecidas “fundo de quintal” às mais modernas, que também seguem padrões europeus. “É possível encontrar na China, por exemplo, moto de 250 cilindradas a preço médio de US$ 250. Lógico, são de péssima qualidade! Mas também é possível encontrar modelos por US$ 750, de alta qualidade. Na China se encontra de tudo, desde produtos de qualidade A aos de qualidade D. Com essa variação, optamos por importar produtos de qualidade A”, explica o empresário.

 

Para Flávio, toda a proposta de negócio, que levou cerca de quatro anos de pesquisa para então se tornar realidade, foi motivada pela vontade de crescer e pelo enorme desafio de introduzir um novo produto no mercado nacional. “Sempre quisemos ter um negócio próprio, mas ele precisava ser diferente, único. E a motivação veio justamente desse fator, o desafio, principalmente quando analisamos a concorrência e enxergamos gigantes multinacionais”, explica.

 

Apesar das dificuldades iniciais, como o lobby de grandes empresas já instaladas no mercado nacional e a falta de incentivo do governo brasileiro, as vantagens do negócio ainda são atrativas. Entre as principais vantagens – e o que mais chama a atenção do negócio – está a carência do mercado de motos no Brasil por produtos de preços acessíveis às classes C e D, principalmente.

 

“Avaliar os erros cometidos pela concorrência e trabalhar para não cometer os mesmos tem sido fator decisivo em nosso negócio”, diz Flávio. E os erros a que o empresário se refere estão diretamente ligados ao consumidor final, a exemplo do atendimento e dos preços dos produtos finais.

 

A Sol Motors, com proposta inovadora, quer se aproximar, cada dia mais, de seus clientes. E essa proximidade se explica com o projeto de expansão da marca no País, por meio de lojas próprias e concessionárias, todas obedecendo ao conceito de “loja de vizinhança”, ou seja, “é fundamental estar próximo dos consumidores, assim como oferecer um produto de qualidade a preço justo”, diz Cristiane Rodrigues, casada com Flávio. Juntos, definiram iniciar o negócio.


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A proximidade com o cliente

 

Seguindo um modelo chinês de loja, a Sol Motors atenderá o cliente o mais próximo possível de sua moradia, ou seja, nada de loja central em grandes centros, mas, sim, lojas periféricas, nos bairros, para permanecer próxima do cliente o tempo topo, não somente quando este passar pela região central de uma cidade. “Este conceito de loja muda, completamente, a proposta de atendimento ao cliente Sol Motors. Assim, abriremos quatro lojas em Uberlândia, em bairros diferentes, fechando, o círculo de atendimento na cidade”, explica Flávio Rodrigues.

 

Além da proximidade da loja, o consumidor contará, também, com uma extensa rede de oficinas credenciadas para revisões periódicas e manutenções. Seja nas lojas, seja nas oficinas credenciadas, o acesso a peças e componentes para reposição será, praticamente, imediato. “Não se trata de um produto importado, ou seja, as peças são importadas, mas a montagem se dá aqui no Brasil; assim, o cliente não terá que aguardar a importação, o pedido de peças, elas já estarão à disposição para qualquer reposição”, explica o empresário. 

 

Com a proposta de popularizar cada vez mais a proposta de que todos têm o direito de ter uma moto, o empreendedor explica que o fator proximidade com o cliente também implica a reinvenção dos canais de distribuição. Além das tradicionais lojas próprias e concessionárias, a Sol Motors pretende chegar a um dos varejos mais convencionais do Brasil, as redes supermercadistas. “Afinal, os supermercados já vendem bicicletas, então, iremos trabalhar para proporcionar que o cliente vá ao supermercado comprar um pacote de arroz e, possa, também, escolher o modelo de sua moto e levá-la para casa”, justifica o empreendedor.

 

Segundo Flávio Rodrigues, este novo formato de venda está em avaliação e deve ser colocado em prática, primeiramente, em grandes centros. A Sol Motors já foi inaugurada em Uberlândia na segunda quinzena de dezembro e já está presente, também, em  Salvador e Curitiba. A primeira apresentação da marca foi durante o Salão da Motocicleta, em São Paulo, ainda em outubro de 2008. “A receptividade foi excelente e a procura, de lá para cá, só tem aumentado, principalmente por outros empreendedores que querem compartilhar nosso negócio e abrir uma concessionária. Estamos avaliando propostas de diversas regiões e Estados”, diz Flávio Rosa. Após aparição na feira, a empresa já recebeu convite, inclusive, de revista especializada em motos para testar os modelos.

 

Para construir um negócio único, como bem avaliou os empreendedores, eles apostam na qualidade e garantia dos produtos, no preço e, principalmente, no relacionamento com os clientes. Para garantir este relacionamento, cada vez mais próximo, a Sol Motors é a única no Brasil a oferecer revisão gratuita nos primeiros 500 quilômetros. “Com essa proposta sempre falaremos com nossos clientes, algo que a concorrência não consegue fazer, deixando com que seu cliente busque revisões e consertos em oficinas nem sempre credenciadas ou preparadas para atender bem”, reforçam. A garantia dos produtos Sol Motors é de um ano.

 

Montagem no Brasil

 

Após definir os fornecedores na China, Flávio partiu rumo à identificação, agora no Brasil, da melhor localização para distribuir as motos para as mais diversas regiões do País, principalmente para o Nordeste. Uberlândia, cidade natal dos empreendedores, foi a escolhida por diversos fatores, entre estes, a previsão de operação do entreposto da Zona Franca de Manaus contribuiu, assim como a proximidade com importantes mercados consumidores, a exemplo de São Paulo e Goiânia.

 

Para que o negócio tivesse início, cerca de 30 profissionais foram alocados e respondem por todos os processos, indo da montagem à venda. A primeira remessa de peças que chegou ao Brasil no segundo semestre de 2008 foi montada em São Paulo, em uma oficina contratada especificamente para montar as primeiras motos, que traduzem o sonho destes empreendedores em realidade.

 

A partir do primeiro semestre de 2009, explica Flávio Rodrigues, a linha de montagem já estará em funcionamento no Distrito Industrial de Uberlândia.


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Mix contempla moto elétrica

 

Novidade no mercado brasileiro de motos, o modelo de moto elétrica (foto), também chamado de “moto limpa” já desperta a atenção e o interesse de uma importante fatia de mercado. Em duas versões, a moto elétrica da Sol Motors chega ao mercado nas configurações com baterias para autonomia de 40 quilômetros e 150 quilômetros. “A tecnologia atingiu um grau tão avançado, que esta moto mais parece um brinquedo. Quando a bateria descarregar, é como se você fosse carregar o seu celular, basta plugá-la em qualquer tomada, isso mesmo, pois ela já vem com carregador bivolt, aguardar o tempo necessário e pronto, já está preparada para ser acelerada novamente.

 

Mas, se por garantia, você queira sempre, nos momentos de parada, conecta-la à uma tomada, sem problema, as baterias de gel, sem memória, são preparadas para não “viciarem”. No mais, a aparência é de uma moto utilitária, ideal para pequenas distâncias e locomoções rápidas. Além de ser leve, a moto ainda oferece vantagens adicionais, a exemplo de um motor reserva, ou seja, a moto elétrica possui motor apenas na própria roda, acoplado ao eixo traseiro.

O motor reserva é uma garantia extra: se a bateria descarregar, ele pode ser acionado com a energia restante da bateria e ainda rodar por alguns quilômetros. “Isso só é possível em virtude da tecnologia empregada. Este segundo motor possui menos capacidade, assim, exige menos bateria para rodar, eventualmente, em uma velocidade também menor, mas que chegará ao destino final”, justifica Flávio Rodrigues. A moto elétrica é novidade no Brasil, diferentemente da China e de países da Europa.  “Estamos trazendo um produto com grandes benefícios ecológicos”, reforça o empreendedor.

 

Como se tornar um representante da Sol Motors

 

Com relação à revenda, a Sol Motors buscará expansão por meio de concessões, ou seja, representações. Neste começo, como deixa claro Cristiane Rodrigues, a empresa não cobrará nenhuma taxa inicial, ou royalty, “apenas exigimos que o futuro representante siga, nos mínimos detalhes, a nossa proposta de negócio, que é estar próximo do cliente; oferecer no mínimo três oficinas credenciadas (treinamento realizado pela Sol Motors); garantia dos produtos (obedecendo aos padrões da montadora); preço justo; e o mais importante: atendimento cortês em lojas com o conceito de ‘vizinhança’”, explica.

 

Entre as exigências, o representante precisa ser exclusivo e o layout de loja ser padronizado, seguindo a mesma proposta de cores e disposição dos produtos realizados pela matriz. 

 

O investimento inicial não foi divulgado pelos empreendedores, mas eles adiantaram que, em vez de taxa inicial, o representante apenas compraria determinada quantidade do mix Sol Motors, considerando-se as características da região em que irá atuar, o que pode variar entre 20 a 30 modelos. Além da compra inicial, o representante terá que adquirir 20% das peças exigidas para reposição e manutenção de garantia dos produtos. “Estamos iniciando um trabalho para que, dentro de um ano, alcancemos a marca de 10 mil motos comercializadas”, explica Flávio Rodrigues.

 

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Design e preço atraem cliente

 

O design e o preço do modelo Storm de 200 cc foram os fatores que mais impressionaram Lucas Santos (foto), que não pensou duas vezes e adquiriu a moto, que saiu por pouco mais de R$ 9 mil. “Achei o máximo a modelagem desta moto, que possui estilo esportivo e design moderno. Por outro lado, é uma moto prática, pois é de apenas 200 cc. Este modelo me agradou desde o primeiro momento”, reforça o cliente.

 

Para Lucas, de apenas 19 anos, a proposta era encontrar uma moto que chamasse, sim, a atenção da turma ou de outras pessoas por onde passasse. “A Storm possui esta capacidade, mesmo sendo uma moto relativamente barata e de poucas cilindradas. Ela é dona de uma imponência muita positiva. Estou contente com a aquisição. Sua aparência foi o que mais de atraiu, assim como o material utilizado, do chassi à sua capacidade de motor, tudo a um preço que cabia em meu orçamento”, enfatiza Lucas, que trabalha como vendedor.